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CUIDAR DO QUE É NOSSO É CONSTRUIR O QUE É DE TODOS


RESUMO:
O presente trabalho, intitulado “Cuidar do que é nosso é construir o que é de todos”, surgiu a partir de uma experiência prática desenvolvida durante aproximadamente um ano com a instalação e o acompanhamento de telas protetoras em bueiros, inicialmente concebidas como uma ação ambiental destinada a conter resíduos descartados nas vias públicas e contribuir para a preservação dos sistemas de drenagem urbana. Ao longo desse período, a experiência ultrapassou a dimensão funcional das telas e despertou uma reflexão sobre a relação entre pequenas atitudes individuais, cidadania e responsabilidade coletiva. Enquanto algumas pessoas reconheceram a iniciativa como uma atitude positiva de cuidado com o espaço público, outras demonstraram descrença, fizeram questionamentos ou apresentaram comentários negativos. Essas diferentes reações levaram à seguinte reflexão: por que uma ação simples de cuidado com um espaço que pertence a todos pode ser questionada ou desvalorizada?A partir dessa questão, a pesquisa busca compreender como as atitudes individuais interferem na conservação dos espaços públicos e de que maneira a percepção de responsabilidade coletiva pode influenciar o comportamento da sociedade. O descarte inadequado de resíduos é abordado como um problema ambiental e urbano que pode contribuir para a obstrução de sistemas de drenagem, enquanto a utilização de telas protetoras é analisada como uma medida complementar de prevenção, desde que empregada de acordo com critérios técnicos e orientação dos responsáveis pela infraestrutura urbana.Para o desenvolvimento do estudo, serão utilizadas pesquisa bibliográfica e documental, pesquisa de campo, observação, registros da experiência prática e entrevistas com profissionais relacionados à infraestrutura urbana, Obras Públicas e sistemas de drenagem e esgotamento pluvial. Também serão analisadas as diferentes percepções manifestadas pela comunidade diante da iniciativa.A pesquisa parte da hipótese de que a baixa percepção sobre a responsabilidade individual pelo espaço público pode contribuir para o questionamento ou a desvalorização de ações de cuidado coletivo. Considera-se, ainda, que ações práticas acompanhadas de conscientização podem estimular atitudes de cidadania, disciplina e corresponsabilidade. Dessa forma, a tela instalada no bueiro é compreendida não apenas como uma solução física para a retenção de resíduos, mas como o ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre o papel de cada cidadão na construção e conservação do espaço coletivo.Conclui-se que a construção de cidades mais sustentáveis não depende exclusivamente de grandes obras ou de ações do poder público, mas também de atitudes cotidianas realizadas pelos cidadãos. Cuidar da própria calçada, não descartar resíduos nas ruas, preservar espaços públicos, comunicar problemas urbanos e participar de ações comunitárias são exemplos de atitudes que, embora individuais, podem produzir benefícios coletivos. Assim, cuidar do que está ao alcance de cada pessoa é também uma forma de construir aquilo que pertence a todos.Palavras-chave: cidadania; corresponsabilidade; educação ambiental; espaços públicos; resíduos sólidos; drenagem urbana; participação social; sustentabilidade.

Orientador(a): Josiara Ilha de Quadros
Coorientador(a): Robson Henrique dos Santos de Almeida
Aluno(a): Enzo Gabriel dos Santos
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